Apesar do bom faturamento nos dois primeiros meses do ano, empresários de bares e restaurantes ajustam expectativa para o futuro próximo
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O Índice de Confiança Empresarial (ICE) do FGV IBRE recuou 0,2 ponto em fevereiro, encerrando uma sequência de cinco meses de alta. O ICE é o produto de uma combinação de outros dois índices: o Índice da Situação Atual (ISA) e o Índice de Expectativa do Empresariado (IEE), sendo que ambos analisam diferentes setores da economia.
No setor de Serviços, o ICE apresentou diminuição de 0,7 ponto, puxado pela queda de 2,2 no IEE, apesar do aumento do ISA de 0,7 ponto.
O setor de alimentação fora do lar, condicionado a Serviços na pesquisa, apresenta uma situação presente positiva. De acordo com a pesquisa da Abrasel, o mês de dezembro apresentou o maior número de empresas operando com lucro em dois anos, 47%.
Embora a conjuntura atual seja positiva para bares e restaurantes, a perspectiva futura é de desafios. A representação de queda do Índice de Expectativa no setor de Serviços, é devido a uma série de fatores como a manutenção da taxa de juros em patamares elevados, a inadimplência das famílias em patamar recorde (maior desde 2017) e a quantidade de empreendimentos com pagamentos em atraso.
Enquanto a taxa de juros é mantida em 15%, a inadimplência entre famílias chegou a 6,4% em janeiro, segundo o Banco Central. Além disso, 35% dos bares e restaurantes relataram pagamentos em atraso, incluindo encargos, impostos, aluguel e fornecedores, de acordo com a Abrasel.
Discussões sobre possíveis mudanças na regulação, como alteração na jornada de trabalho e nas escalas, também trazem incerteza. Segundo cálculos da Abrasel, a mudança na escala 6x1 de maneira abrupta poderia trazer 20% a mais de custos trabalhistas para os estabelecimentos que quiserem manter a oferta de serviços.
Outro fator que aparece com forte influência no setor é a dificuldade de repassar custos ao consumidor no ritmo da inflação. Em pesquisa da Abrasel, 59% dos empresários informaram ter ajustado o cardápio conforme ou abaixo da inflação, enquanto 30% disseram não ter conseguido realizar reajustes.
De acordo com Paulo Solmucci, presidente-executivo da Abrasel, o cenário atual é positivo, mas com cautela crescente nas expectativas do setor de Serviços. “O cenário atual é positivo, com mais empresas operando no azul, mas com um alerta claro nas expectativas".
"A melhora de curto prazo convive com pouca margem de manobra, isso porque, com juros altos, o crédito se mantém caro e encarece o capital de giro, o consumidor endividado fica mais seletivo e reduz a previsibilidade da demanda, e muitos estabelecimentos enfrentam limites para repassar a inflação sem perder movimento. Esse conjunto pode voltar a pressionar as margens e faz o setor planejar os próximos meses com mais prudência.”, comenta.
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